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O PAPO É MEIO AMBIENTE POR: ROGER MACIEL BIÓLOGO

El Niño: se o fenômeno é natural, o desastre não precisa ser

Olá, Amigo Leitor (a)!
O retorno do El Niño, com possibilidade de intensidade elevada e influência prolongada sobre o clima, deveria ser encarado pelas cidades como um aviso e não como uma surpresa. Fenômenos naturais não viram tragédia por acaso: eles se transformam em desastre quando encontram territórios mal preparados, drenagem insuficiente, ocupação irregular, encostas fragilizadas e decisões públicas adiadas por tempo demais. O problema, portanto, não está apenas no céu. Está também na forma como os municípios planejam ou deixam de planejar o chão onde a população vive.
Na Região Sul, especialmente no Litoral Sul de Santa Catarina e no Norte do Rio Grande do Sul, o cenário exige atenção redobrada. As previsões de chuvas acima da média, temporais mais frequentes, alagamentos e deslizamentos impõe risco direto às áreas urbanas, à mobilidade, às moradias e à infraestrutura. Ao mesmo tempo, o frio tende a ser menos duradouro, com massas de ar polar perdendo força em virtude do ar quente. Essa alternância entre calor forte, chuva volumosa e instabilidade atmosférica não é apenas desconfortável; ela pressiona sistemas de defesa civil, compromete o cotidiano das famílias e expõe a fragilidade de cidades que ainda reagem mais do que previnem.
É nesse ponto que a gestão pública precisa ser cobrada com mais firmeza. Prevenção de desastres não pode ser tratada como ação sazonal, acionada somente quando o problema já está instalado. Municípios precisam investir de forma contínua em drenagem urbana, limpeza e ampliação de canais, contenção de encostas, monitoramento de áreas de risco, mapeamento atualizado das vulnerabilidades e planos de contingência realmente operacionais. Também é indispensável fortalecer a comunicação com a população, com alertas claros, protocolos bem definidos e respostas rápidas. Quando a Defesa Civil e os órgãos técnicos emitem boletins e orientações, isso não deve ser visto como burocracia climática, mas como ferramenta concreta de proteção da vida.
Há ainda uma dimensão ambiental que não pode ser ignorada. Chuvas intensas carregam solo, assoreiam rios, afetam a qualidade da água, ampliam a erosão e agravam prejuízos em áreas de vegetação já pressionadas por uso inadequado do território. Em ambientes urbanos, a impermeabilização excessiva transforma cada evento de chuva em teste para a infraestrutura. Em áreas rurais, os danos recaem sobre lavouras, estradas vicinais e sistemas produtivos que dependem de regularidade climática. O El Niño, nesse sentido, escancara a ligação entre clima, ambiente e gestão pública: quando o território é mal cuidado, a natureza cobra com mais força.
Meus caros leitores (as)! Falar de El Niño é falar de responsabilidade. Responsabilidade técnica, porque há conhecimento suficiente para prever riscos e reduzir danos. Responsabilidade política, porque prevenção custa menos do que reconstrução. E responsabilidade humana, porque por trás de cada alagamento, deslizamento ou perda material há famílias, trabalhadores e comunidades inteiras tentando recomeçar. Se o fenômeno é natural, o desastre não precisa ser. Cabe às cidades, agora mais do que nunca, assumir a prevenção como prioridade permanente antes que a próxima chuva lembre, da pior forma, o preço da omissão.
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Até a próxima! PRESERVE O MEIO AMBIENTE.

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