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EMBRAPA ASSINA ACORDO DE COOPERAÇÃO CIENTÍFICA COM A COREIA DO SUL
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Ricardo Stuckert / PR - Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, durante cerimônia de assinatura de atos na Casa Azul (Cheong Wa Dae), em Seul
A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, assinou nesta segunda-feira (23) memorando de entendimento com a Rural Development Administration (RDA), agência de pesquisa da Coreia do Sul, com foco em parceria científica e tecnológica nas áreas de agricultura, recursos naturais e desenvolvimento sustentável. O acordo amplia o intercâmbio relacionado a temas estratégicos, como mudanças climáticas, bioeconomia, biotecnologia, agricultura digital e de precisão, inteligência artificial, sistemas de produção animal e vegetal, segurança alimentar, nutrição, saúde e desenvolvimento rural, além da formação e intercâmbio de recursos humanos. O documento define ainda diretrizes sobre propriedade intelectual, uso e proteção de dados, disseminação de resultados científicos, intercâmbio de material genético, em conformidade com as legislações nacionais, e mecanismos de governança da cooperação.
A iniciativa foi parte da programação da comitiva presidencial brasileira, entre os dias 19 e 24 de fevereiro, à Índia e à Coreia do Sul, em agendas voltadas ao fortalecimento do comércio e de parcerias estratégicas com os dois países. Além da cooperação com a Embrapa, foram firmados com o Brasil mais nove atos envolvendo os ministérios da Agricultura e Pecuária, Saúde, Fazenda, Empreendedorismo e Ciência e Tecnologia, a Anvisa e a Polícia Federal.
Na agenda da viagem, que começou em Nova Déli, na Índia, Silvia participou da inauguração do escritório da ApexBrasil. No dia 21 esteve no Fórum Empresarial Brasil-Índia, cujo objetivo foi consolidar as relações de cooperação e comércio entre os dois países. No evento, promovido pela ApexBrasil, Ministério das Relações Exteriores (MRE) e Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), ela destacou o papel estratégico da ciência na transformação da agricultura tropical brasileira. “A pesquisa foi o principal instrumento para destacar o País entre as nações que são referência tecnológica na produção de alimentos, em especial no momento em que o cenário mundial está em total transformação climática e enfrenta desafios relacionados à produtividade com sustentabilidade”, disse. “A experiência da Embrapa mostra que a pesquisa e a inovação são fundamentais para gerar produtividade com sustentabilidade. Brasil e Índia compartilham desafios e oportunidades e têm muito a avançar juntos na transferência de tecnologia e na construção de uma agricultura mais resiliente”
Segundo a Apex, cerca de 600 empresários indianos e mais de 300 brasileiros se inscreveram no encontro, em que foram identificadas uma média de 400 oportunidades de exportações para o Brasil em setores como minerais, máquinas, alimentos, tecnologias em saúde e energias renováveis, por meio de paineis temáticos, reuniões bilaterais e apresentações sobre áreas prioritárias para investimentos nos dois países.
Intercâmbio de cultivares de cogumelos Entre as áreas estratégicas previstas com a assinatura do memorando com a Coreia do Sul, Embrapa e RDA está o avanço da fungicultura em regiões tropicais e subtropicais, focando no desenvolvimento de novas linhagens, automação e aproveitamento de resíduos. O plano de trabalho será executado no Brasil pela equipe do Laboratório de Cultivo de Cogumelos da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Brasília, DF) e prevê o intercâmbio de materiais genéticos e o desenvolvimento de cultivares de cogumelos adaptadas às condições de cultivo do Brasil, sobretudo climáticas, visando maior eficiência produtiva. Também está previsto o compartilhamento de conhecimento sobre máquinas e sistemas automatizados para a produção de substrato em escala industrial e manejo do cultivo. Haverá ainda pesquisa conjunta para prospecção, isolamento e domesticação de espécies de cogumelos nativos do Brasil com potencial econômico, biotecnológico, medicinal e nutricional. Outro foco é buscar a transformação do substrato pós-colheita dos cogumelos em insumos biológicos, como fertilizantes e biocontroles, para aplicação na agricultura, pecuária e aquicultura. O memorando prevê ainda programas de treinamento e intercâmbio de pesquisadores e técnicos para transferência de tecnologias. De acordo com Loeni Ludke Falcao, analista da Embrapa responsável pelo Laboratório de Cultivo de Cogumelos, a assinatura do menorando é uma oportunidade importante para o desenvolvimento da cadeia produtiva de cogumelos no Brasil. “É uma cadeia ainda pequena, mas com crescimento anual e grande potencial, uma vez que agrega muito na busca de alimentação de funcionais, saudáveis e com produçao sustentável. Por não ser de origem animal e sim fúngica, o cogumelo é uma alternativa para quem não come carne, sendo o desenvolvimento de tecnologias que permitam o aumento do teor proteico desses alimentos uma busca de cientistas pelo mundo. Além disso, tem grande potencial como fonte de matéria-prima para o desenvolvimento de bioinsumos para agricultura e pecuária, assim como de moléculas para a indústria farmacêutica", analisou. |
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