PRAIA GRANDE LANÇA EDITAL DE R$ 55,9 MIL PARA INCENTIVO A PROJETOS CULTURAIS |
O PAPO É MEIO AMBIENTE POR: ROGER MACIEL BIÓLOGO
O balão no chão
Olá, Amigo Leitor(a)!
Dia desses recebi inúmeras mensagens de denúncias sobre o descarte de lixeiras em formato de balão na cidade de Torres. Vi as imagens e elas resumem uma discussão inteira. Um monte de entulho, restos de obra, madeira quebrada, plástico espalhado e, no meio, pedaços de lixeiras em formato de balão. Para quem conhece Torres e sua relação com o balonismo, não é só um objeto descartado: é um símbolo urbano jogado no mesmo lugar onde se joga o que a cidade não quer ver.
O detalhe que pesa é que não estamos falando de qualquer equipamento improvisado. Essas lixeiras foram adquiridas em 2014 com verba da FUNASA. Quase 700 unidades. Um investimento com propósito claro: qualificar a limpeza urbana, apoiar educação ambiental, organizar a disposição de resíduos em áreas de grande circulação e, de quebra, conversar com a identidade turística do Município. Quando esse tipo de bem vai parar no descarte, alguma coisa falhou no caminho e não é uma falha pequena.
Essas lixeiras foram produzidas com a famosa “madeira plástica” (polímero reciclado/compósito) é justamente o material escolhido para durar mais e exigir menos manutenção. Resiste melhor à umidade, ao sal e ao tempo do que muita madeira convencional. Se um equipamento durável vira rejeito, geralmente a causa não é “fim de vida útil” é ausência de gestão de ativos: falta de manutenção preventiva, de reposição de peças, de padronização de consertos, de estoque mínimo de ferragens, de rotina de inspeção. E, quando se desiste do conserto, ainda falta o básico: triagem e destinação correta.
A Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010, art. 9º) não deixa espaço para dúvida: a ordem é não gerar, reduzir, reutilizar, reciclar, tratar e, só no final, dispor. Jogar lixeiras fora sem separar o que é reutilizável do que é irrecuperável contraria essa lógica. E misturar isso a resíduos de construção e demolição só piora: aumenta volume, dificulta reciclagem e prolonga o passivo. Se a área de descarte não for regularizada para recebimento e triagem, o problema se agrava e pode ter desdobramentos administrativos e ambientais (Lei 9.605/1998).
Meus caros leitores (as)! O que deveria ter acontecido é simples e não exige invenção, exige método. Primeiro: inventário das peças e unidades. Segundo: classificação por estado (integra, reparável, irrecuperável). Terceiro: um plano de recuperação com troca de ferragens, recomposição de partes danificadas e reinstalação em pontos turísticos e de alta circulação. E, se parte não tiver mais condições de uso como lixeira, ainda há reaproveitamento inteligente: jardineiras e vasos para paisagismo urbano, bases para sinalização educativa, coletores específicos para eventos, doação para escolas e projetos comunitários. O que não cabe é a solução mais fácil: abandonar.
Para finalizar! Torres se vende, com razão, como destino turístico e ambiental. Mas destino turístico também é gestão: é cuidado com o que se instala, com o que se mantém e com o que se descarta. O “balão no chão” não é só feio. É caro, é tecnicamente errado e é um lembrete incômodo de que sustentabilidade não se faz com discurso, e sim com rotina.
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Até a próxima! PRESERVE O MEIO AMBIENTE
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