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O PAPO É MEIO AMBIENTE POR: ROGER MACIEL BIÓLOGO

Depois da constatação, a responsabilidade

Olá, Amigo Leitor (a)!

Se na coluna anterior a ideia era deixar claro que o desastre não nasce do fenômeno natural, nesta é preciso dizer algo ainda mais relevante: quando as chuvas aumentam, o que entra em colapso não é só a rua, o barranco ou a ponte. O que entra em teste é a capacidade de uma cidade cuidar das pessoas. E, diante do excesso de chuvas associado ao El Niño, essa capacidade tem sido menor do que o necessário em muitos municípios.

É fácil falar de chuva quando ela cai longe da nossa casa. Difícil é viver a rotina de quem acorda com a água invadindo o quintal, perdendo o acesso ao trabalho e ainda precisa esperar por uma resposta pública que nem sempre chega no tempo certo. O problema, portanto, não é apenas climático. É humano. E é justamente por isso que a Defesa Civil não pode continuar sendo lembrada só no momento da emergência. Ela precisa estar presente antes, durante e depois da chuva, com estrutura, equipe, planejamento e capacidade real de proteger a população.

O excesso de chuvas não pega ninguém de surpresa quando existe informação técnica, histórico de eventos e áreas vulneráveis já conhecidas. O que surpreende, na verdade, é a repetição da mesma fragilidade. Municípios que convivem com alagamentos frequentes continuam sem drenagem adequada. Bairros instalados em áreas de risco seguem expostos. Canais entupidos, encostas sem contenção e sistemas de alerta pouco eficientes transformam cada temporal em ameaça direta à vida. A chuva cai, mas o risco já estava ali antes dela.

A Lei 12.608/2012 foi criada e deve ser cumprida. Ela existe porque prevenir desastres é obrigação do poder público. E isso significa muito mais do que acionar sirenes quando a situação já saiu do controle. Significa mapear pontos críticos, revisar rotas de evacuação, orientar a população com clareza, manter abrigos preparados e integrar a defesa civil com outras áreas essenciais, sobretudo saúde e assistência social. Quando isso não acontece, o município acaba respondendo de forma improvisada a um problema que já era previsível.

A saúde pública sente imediatamente. Alagamento não é só água acumulada. É contaminação, é risco de doenças, é interrupção de atendimento, é dificuldade de locomoção para quem precisa de cuidado e é sobrecarga para equipes que já trabalham no limite. Em cenários de chuva intensa, aumenta a pressão sobre postos de saúde, vigilância ambiental e serviços de urgência. E quem mais sofre, como sempre, é quem vive nas áreas mais frágeis, com menos infraestrutura e menos proteção.

Meus caros leitores (as)! O El Niño passa. A omissão fica. E é essa omissão, repetida ano após ano, que transforma um fenômeno natural em sofrimento social. Falar de excesso de chuvas é lembrar que a natureza pode até impor ritmo, mas cabe às cidades decidir se vão continuar sendo surpreendidas ou finalmente começar a se preparar. Muitas tragédias poderiam ser reduzidas se a prevenção fosse tratada como prioridade política e não como custo evitável. Limpar bueiros, manter canais, conter encostas, recuperar áreas de drenagem natural, preservar margens de cursos d’água e impedir ocupações inadequadas não são medidas secundárias. São escolhas que definem se a próxima chuva será apenas um evento climático ou o início de um desastre evitável.

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Até a próxima! PRESERVE O MEIO AMBIENTE.

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