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O PAPO É MEIO AMBIENTE POR: ROGER MACIEL BIÓLOGO

A fauna marinha sob ameaça nas areias das praias

Olá, Amigo Leitor (a)!
Nesta época do ano, quando os lobos-marinhos buscam descanso nas praias do litoral do RS e de SC, é comum que a presença desses animais desperte curiosidade, encanto e, muitas vezes, preocupação. Eles não estão “invadindo” a praia. Estão apenas fazendo o que sua biologia manda: repousar, recuperar energia e seguir o ciclo natural de deslocamento que há milhares de anos integra a dinâmica dos ecossistemas costeiros.
O problema é que, nesse mesmo cenário, cresce um risco que não deveria ser tratado como detalhe: os ataques de cães a esses animais. O que deveria ser um momento de contato respeitoso com a vida silvestre tem se transformado, com frequência, em episódios de violência, estresse e morte. E o mais grave é que, muitas vezes, isso acontece por falhas humanas simples e evitáveis: cães soltos, falta de controle, ausência de fiscalização e pouca educação ambiental. Na semana que passou vi alguns vídeos nas redes sociais impactantes desses ataques.
Um estudo realizado no litoral norte do Rio Grande do Sul mostrou que 38% dos lobos-marinhos necropsiados, morreram em decorrência de ataques de cães. Esse dado não pode ser lido como uma estatística isolada. Ele revela um conflito direto entre a ocupação humana da faixa de praia e a permanência de fauna silvestre em áreas que ainda são, biologicamente, seus ambientes de uso natural. O estudo também chama atenção para um ponto importante: nem sempre o animal apresenta ferimentos externos evidentes. Em vários casos, o dano mais grave está na musculatura, nos tecidos subcutâneos e no estado geral do animal.
Há ainda um aspecto pouco discutido fora do meio técnico: o contato entre cães domésticos e lobos-marinhos não representa risco apenas para o animal silvestre. Ele também pode favorecer a transmissão de doenças, com potencial de atingir colônias reprodutivas e comprometer populações inteiras. Em outras palavras, o problema não é apenas individual; ele é ecológico e sanitário.
Por isso, a solução não pode se limitar ao lamento depois que o ataque acontece. É preciso política pública, orientação clara, presença do poder público na orla, controle de cães errantes, cães comunitários e responsabilização dos tutores que insistem em levar animais sem contenção para locais onde há fauna silvestre. Praia não é espaço para abandono, omissão ou improviso. É um território compartilhado, que exige regra, cuidado e respeito.
Meus caros leitores (as)! Proteger os lobos-marinhos não é um gesto de romantização da natureza com a conhecida “fofo” fauna. É uma medida básica de conservação e de convivência civilizada com o ambiente costeiro. Quando um cão ataca um lobo-marinho na praia, o prejuízo não recai apenas sobre aquele indivíduo. Repercute sobre a biodiversidade, sobre a saúde pública e sobre a imagem de uma sociedade que ainda precisa aprender a ocupar seu litoral sem destruir aquilo que o torna vivo.
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Até a próxima! PRESERVE O MEIO AMBIENTE.

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