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SEGURANÇA EM FOCO: POR MAJOR MARCELO FABER, POLICIAL MILITAR DE SANTA CATARINA

Polícia de proximidade: quando segurança se constrói junto

Há uma diferença importante entre uma polícia que simplesmente atende uma ocorrência e uma polícia que conhece a comunidade antes que a ocorrência aconteça.
Essa diferença ajuda a explicar uma das transformações mais importantes pelas quais passou a Polícia Militar de Santa Catarina nas últimas décadas: a consolidação de uma filosofia de polícia de proximidade, construída gradualmente há quase 30 anos e que hoje faz parte da maneira de pensar e executar a segurança pública.
Estar próximo não significa apenas colocar uma viatura para circular por determinado bairro. Significa conhecer as pessoas, compreender a realidade local, identificar problemas, ouvir preocupações e criar canais permanentes de diálogo. Significa fazer com que o policial deixe de ser alguém que aparece apenas quando algo dá errado e passe a ser uma referência de segurança para a comunidade.
Essa mudança também altera o papel do cidadão. Durante muito tempo, segurança pública foi vista como uma responsabilidade quase exclusiva do Estado. A comunidade esperava a polícia agir e a polícia era chamada quando o problema já havia acontecido. A lógica da proximidade mostrou que podemos fazer diferente: prevenir é mais eficiente quando polícia e sociedade compartilham informações, responsabilidades e objetivos.
É nesse contexto que ganham importância iniciativas como as redes de vizinhos, as ações junto às escolas, o Proerd, a Rede Catarina, o trabalho preventivo com comerciantes, moradores da área rural e tantos outros projetos desenvolvidos pela PMSC. São ferramentas que aproximam, mas, principalmente, criam confiança.
E confiança é um dos instrumentos mais poderosos da prevenção.
Um morador que conhece o policial que atende sua região sente-se mais à vontade para comunicar uma situação suspeita. Um comerciante que participa de uma rede de proteção passa a observar o entorno com maior atenção. Uma escola que mantém diálogo permanente com a Polícia Militar consegue identificar situações de risco com antecedência. Uma comunidade organizada torna-se mais resiliente e menos vulnerável.
O resultado nem sempre aparece imediatamente em uma ocorrência evitada, porque aquilo que não aconteceu dificilmente vira notícia. Mas é justamente aí que está o valor da prevenção.
A polícia de proximidade não substitui a repressão qualificada, a investigação ou a resposta rápida. Ao contrário: complementa essas ferramentas, permitindo que a Polícia Militar compreenda melhor onde, como e por que os problemas acontecem.
Depois de quase três décadas, a principal lição talvez seja simples: segurança não é construída somente depois que o crime acontece. Ela começa muito antes — na conversa com o morador, na presença policial, na confiança estabelecida e na participação de cada cidadão.
Uma comunidade mais segura não é aquela que depende exclusivamente da polícia. É aquela que confia nela, trabalha ao seu lado e entende que segurança é uma construção coletiva.

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