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SEGURANÇA EM FOCO: POR MAJOR MARCELO FABER, POLICIAL MILITAR DE SANTA CATARINA
Servir também é uma forma de patriotismo
Há momentos em que a vida exige mais do que força. Exige presença, escuta e sensibilidade. O Setembro Amarelo nos convida a refletir sobre a valorização da vida e sobre a importância de perceber, no outro, sinais de sofrimento que nem sempre são expressos em palavras. É um período que nos lembra que cuidar não é um gesto secundário: é uma das mais importantes formas de proteger.
A Polícia Militar, por sua própria natureza, está presente em momentos de grande vulnerabilidade humana. Em ocorrências que envolvem conflitos familiares, crises emocionais, situações de desespero ou pessoas que já não encontram caminhos para enfrentar suas dificuldades, o policial militar frequentemente é um dos primeiros profissionais a chegar. Antes mesmo de qualquer procedimento técnico, existe uma pessoa diante de outra pessoa. E, nesse encontro, uma palavra, uma escuta atenta ou uma atitude acolhedora pode fazer diferença.
A missão policial vai além da preservação da ordem pública. Ela também se concretiza na proteção da dignidade, na defesa da integridade e no compromisso com a vida. Em determinadas circunstâncias, agir com firmeza significa, justamente, saber acolher. Reconhecer a dor alheia, evitar julgamentos precipitados e compreender que cada indivíduo carrega uma história são atitudes que fortalecem a atuação policial e aproximam a instituição da comunidade que serve.
Mas a reflexão do Setembro Amarelo também precisa voltar os olhos para dentro dos quartéis.
O policial militar, acostumado a lidar com riscos, tragédias e responsabilidades, nem sempre encontra espaço para falar sobre as próprias dificuldades. A cultura da resistência, tão presente na profissão, pode fazer com que o sofrimento seja silenciosamente carregado. Entretanto, ser forte não significa jamais precisar de ajuda. Significa também reconhecer limites, cuidar da saúde emocional e compreender que pedir apoio é um ato de coragem e responsabilidade.
Por trás da farda existe um ser humano. Alguém que também enfrenta perdas, preocupações, conflitos e dias difíceis. Valorizar a vida dos policiais militares exige fortalecer relações de confiança, estimular o diálogo e construir ambientes em que cuidar uns dos outros seja compreendido como parte da missão institucional.
O Setembro Amarelo, portanto, não deve ser apenas uma campanha de setembro. Deve ser um compromisso permanente com a vida, dentro e fora das instituições. Que saibamos olhar com mais atenção, ouvir com mais empatia e agir com mais humanidade.
Porque proteger a sociedade também significa lembrar que toda vida importa. Inclusive a de quem dedica a própria vida a proteger.
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