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O PAPO É MEIO AMBIENTE POR: ROGER MACIEL BIÓLOGO

El Niño deixa marcas na Região Sul

Olá, Amigo Leitor (a)! Nas colunas anteriores, discutimos que o desastre não nasce apenas de um fenômeno natural. Ele também é resultado da forma como as cidades ocupam o território, cuidam da infraestrutura e se preparam para proteger a população. Agora, diante da continuidade dos efeitos do El Niño, é preciso observar com atenção o que acontece na Região Sul do Brasil, onde chuvas intensas, enchentes e temporais têm provocado impactos que ultrapassam os limites das áreas urbanas.
As previsões climáticas indicam que a região deve continuar sujeita a períodos de instabilidade, com possibilidade de chuvas acima da média em determinados momentos e ocorrência de eventos extremos. Mesmo quando o fenômeno começa a perder força, seus efeitos não desaparecem imediatamente. A atmosfera e os oceanos continuam influenciando a distribuição das chuvas e das temperaturas. Por isso, municípios do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul precisam manter o monitoramento e não reduzir os cuidados antes que o cenário esteja efetivamente estabilizado.
Já sabemos de largo que o excesso de chuva provoca alagamentos, eleva rapidamente o nível dos rios, interrompe estradas, danifica pontes e compromete o funcionamento de serviços públicos. Em áreas urbanas, a impermeabilização do solo impede a infiltração da água e sobrecarrega sistemas de drenagem muitas vezes antigos ou insuficientes. Nos municípios com relevo acidentado, a saturação do solo aumenta o risco de deslizamentos, principalmente onde a vegetação foi retirada e a ocupação avançou sobre encostas e margens de cursos d’água.
Os impactos ambientais também são significativos. A força da água remove o solo, amplia processos erosivos, transporta sedimentos e contribui para o assoreamento de rios e córregos. Quando esses materiais chegam aos cursos d’água, reduzem a capacidade de escoamento e tornam futuras enchentes ainda mais graves. A qualidade da água também pode ser afetada pelo carregamento de resíduos, esgoto e contaminantes presentes nas áreas urbanas e rurais.
Nas áreas agrícolas, a chuva excessiva prejudica o preparo do solo, atrasa o plantio, danifica lavouras e dificulta a colheita. Estradas rurais destruídas e pontes interditadas impedem o transporte da produção e isolam comunidades. O prejuízo não termina quando a água baixa. Muitas famílias precisam de meses para recuperar o solo, reconstruir estruturas e retomar a atividade produtiva.
Nós aqui da Região Sul já conhecemos os efeitos desses eventos, mas ainda convivemos com decisões adiadas. A prevenção precisa deixar de ser uma promessa para depois da tragédia. Mapear áreas de risco, preservar a vegetação das margens, manter sistemas de drenagem, recuperar rios e orientar a população são medidas que devem fazer parte da rotina municipal.
Meus caros leitores (as)! O El Niño para os próximos meses aqui na nossa região prevê, chuvas acima da média e maior risco para temporais e alagamentos, além de temperaturas elevadas. A chuva não escolhe o município mais preparado ou mais carente. Porém, o tamanho do dano depende das escolhas feitas antes dela. Lembrando que prevenir não é exagero nem gasto desnecessário, é proteger vidas e preservar o meio ambiente. Investir em prevenção é infinitamente mais barato que em reconstrução.
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Até a próxima! PRESERVE O MEIO AMBIENTE!

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