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SEGURANÇA EM FOCO: POR MAJOR MARCELO FABER, POLICIAL MILITAR DE SANTA CATARINA

O criminoso não escolhe a vítima por acaso

Você pode passar anos sem ser vítima de um crime e, em poucos minutos, perder um celular, um carro ou até a sensação de segurança dentro da própria casa. Mas você já parou para pensar por que algumas situações acabam facilitando a ação de um criminoso?
Embora nem todo crime possa ser previsto ou evitado, muitos delitos patrimoniais são influenciados por oportunidades. E é justamente nesse ponto que a prevenção faz diferença.
Uma porta destrancada, um veículo estacionado com objetos de valor à vista, uma rotina divulgada diariamente nas redes sociais ou um portão aberto por alguns minutos podem parecer situações inofensivas.
Para quem pretende cometer um furto, entretanto, esses detalhes podem representar uma oportunidade.
Isso não significa que a culpa pelo crime seja da vítima. A responsabilidade é sempre de quem decide praticá-lo. O que precisamos compreender é que reduzir oportunidades pode dificultar a ação criminosa e diminuir riscos.
Na atividade policial, esse raciocínio é fundamental. O policiamento eficiente não consiste apenas em atender ocorrências ou prender suspeitos. Envolve identificar padrões, analisar horários e locais com maior incidência criminal, direcionar as guarnições de acordo com as necessidades e agir preventivamente.
Por trás de uma viatura circulando em determinado bairro, pode existir uma análise de dados que apontou maior concentração de furtos naquela região. Por trás de uma abordagem, pode haver informações sobre características de veículos ou comportamentos relacionados a ocorrências anteriores. O trabalho policial exige presença nas ruas, mas também planejamento e inteligência.
A comunidade tem um papel importante nessa estratégia. Comunicar movimentações realmente suspeitas, registrar ocorrências, compartilhar informações úteis com a Polícia Militar e adotar medidas básicas de proteção contribui para um ambiente menos favorável ao crime.
É importante lembrar que a prevenção exige atenção e responsabilidade. Identificar situações suspeitas significa observar circunstâncias concretas, como tentativas de acesso a imóveis sem autorização ou comportamentos que indiquem uma possível prática criminosa. A colaboração da comunidade deve sempre estar baseada em fatos, contribuindo para um trabalho policial mais eficiente e seguro.
A Polícia Militar não consegue estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Por isso, a combinação entre policiamento orientado por informações e participação comunitária pode ampliar a capacidade de prevenção.
No fim, a pergunta não é se podemos eliminar todos os riscos. É se estamos fazendo o possível para reduzi-los.
O criminoso é responsável por sua escolha. Mas uma sociedade atenta, uma polícia preparada e uma comunidade participativa tornam essa escolha mais difícil de transformar em crime.

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