O que o Artur, a Isabele, Beatriz, Giulia, Melissa e o Lian, de 16 e 17 anos tem em comum? Além de serem alunos da EEM Macário Borba, de Sombrio, eles são alunos do pólo de Altas Habilidades do Atendimento Educacional Especializado da escola. São alunos sedentos por mais, por notícias, novidades, instigados para desenvolver autonomia e estimular o pensamento crítico e investigativo. Adoram escrever, gostam de leitura, de fotografia, de redes sociais, de rodas de conversa..e isso lembra uma redação de jornal. E é isso mesmo. São eles os responsáveis pelo projeto Jovem News, um jornal escolar produzido com a iniciativa de desenvolver competências lingüísticas, criativas, sociais e críticas por meio da produção jornalística. A idéia é colocar o jornal mensalmente impresso na escola e também no ambiente digital, promovendo maior alcance e engajamento da comunidade escolar.
Veridiane Narciso de Freitas, professora do AEE/AH, diz que todos os alunos querem participar do projeto, porém necessita, além de freqüentar o pólo, ter habilidades para a escrita, diagramação, edição, fotografia e tudo o que um jornal necessita para o seu funcionamento. A escola fornece o material, a sala, computadores e o mais importante: o acolhimento. “A ideia surgiu quando nossos alunos pintaram o muro da escola, e achamos importante a divulgação dessa ação. Convidamos os alunos e eles toparam. Entraram de cabeça no projeto, e além de formarmos uma equipe, formamos uma família também”, diz Veridiane. Para o aluno Artur, que pretende trabalhar na área de tecnologia, e no momento está trabalhando como fotógrafo, eles aprendem não só sobre jornal, mas formam uma família, trocam idéias, conselhos, choram, riem e vibram com as conquistas de cada colega. A adolescência já é complicada por si mesma, e quando um grupo visto como “estranho” ou “nerd”, da escola, tem a oportunidade de ficar e trabalhar junto, se torna muito importante essa identificação e aceitação, define Artur. O caso de Lian é o contrário. Tímido, reservado, de fala baixa e pouca, acredita que participar do projeto vai ajudá-lo a perder a timidez, o nervosismo e consequentemente ajudá-lo no futuro, pois a comunicação é essencial. Para Isabele, os colegas da turma procuram por ela quando querem fazer algum trabalho, achando que ela realmente sabe tudo. Mas ela é enfática em dizer que não. “ Tenho altas habilidades e não super dotação. Posso ser ótima em Inglês, mas não ser boa em exatas, e assim por diante. Não somos bons em tudo, e nem queremos”, afirma a aluna.
Para Veridiane, o Jornal Jovem News acabou dando visibilidade para o pólo, que atende alunos de Sombrio até Passo de Torres. O projeto acolhe os adolescentes em suas particularidades e dá oportunidades para todos. Há quem se destaque na fotografia, outro na entrevista, outro em frente as câmeras... cada um com seu talento. A parceria entre as professoras e a gestão também é importante. Para a professora do AEE Rosiléia Miguel Homem, o profissional que trabalha com a educação especial precisa ter um olhar de carinho, pois é desafiador, ainda mais alunos com altas habilidades. “Estamos sempre buscando mais para oferecer a eles algo melhor, desafiador e interessante. Precisamos incentivar esses alunos a darem o melhor de si, a enfrentarem desafios e se reconhecerem como possíveis profissionais da área da comunicação num futuro próximo”, afirma Léia.
Atualmente a escola conta com 680 alunos do ensino médio. Com tantos alunos, as idéias afloram e as notícias surgem. O projeto Jovem News se configura como uma proposta inovadora e significativa, especialmente para estudantes com altas habilidades, ao oferecer desafios reais, espaço de expressão e possibilidades de aprofundamento em áreas de interesse, além de contribuir para o desenvolvimento acadêmico, promovendo a formação de sujeitos críticos, criativos e atuantes ma sociedade.
Para o gestor da instituição, Alexandre Martins Cristovão não tem como tipificar alguém com altas habilidades. São diferentes, cada um a sua maneira, e essa iniciativa deu visibilidade à escola. Os alunos querem participar e ele garante dar todo o apoio necessário.
Para o coordenador regional de educação, Gilberto Delfino, espera-se que esse projeto crie um maior engajamento da unidade escolar, amplie o pensamento crítico dos alunos, além de fortalecer o protagonismo estudantil. “ É muito satisfatório saber que nossos alunos adolescentes participam e se engajam em projetos como esse, que integra as diferentes áreas do conhecimento, além de incentivar o trabalho colaborativo e interdisciplinar.”
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Soraia Pavei Pietsch Técnica da CRE
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